Departamento Jurídico Próprio ou Full Outsourcing
A pergunta sobre como estruturar a função jurídica costuma ser apresentada como uma escolha entre dois extremos, a de manter um departamento jurídico interno ou a de terceirizar integralmente a atividade, e posta nesses termos a discussão tende a se perder. O ponto útil não está em saber qual modelo é melhor em abstrato, e sim em descobrir qual desenho escala melhor diante da demanda real de cada empresa.
Vantagens e Limitações do Departamento Interno
O departamento interno tem virtudes que são evidentes, como o conhecimento profundo do negócio, a proximidade com as áreas, a velocidade de resposta e o controle sobre as prioridades, mas é uma estrutura de custo predominantemente fixo, que enfrenta dificuldade tanto para absorver picos de demanda quanto para cobrir com profundidade todas as especialidades que uma operação complexa acaba exigindo, do tributário ao societário, do contencioso ao regulatório, sem esquecer o trabalhista e os contratos.
O Modelo de Full Outsourcing
O full outsourcing segue o caminho inverso, tendendo a converter parte do custo fixo em custo variável e dando acesso a especialistas sob demanda, com a escala se ajustando conforme a necessidade, e o preço dessa flexibilidade aparece na menor proximidade com o dia a dia do negócio, na exigência de uma boa gestão de fornecedores e no risco de descontinuidade do conhecimento acumulado quando a relação não é bem governada.
O Modelo Híbrido como Solução de Escala
Na prática, o modelo que costuma escalar melhor não é nenhum dos extremos, e sim o híbrido, com um núcleo interno enxuto cuidando da estratégia, da gestão jurídica e das matérias recorrentes e mais sensíveis ao negócio, enquanto a contratação externa responde pelos picos de volume e pelas especialidades específicas, num arranjo que preserva a inteligência interna sem carregar o custo fixo de uma estrutura dimensionada para o pico.
Legal Ops e a Disciplina de Gestão
O que torna qualquer modelo realmente escalável é a disciplina de gestão, aquilo que se convencionou chamar de legal ops, feita de processos definidos, tecnologia adequada, padronização de documentos e, acima de tudo, métricas, porque acompanhar o custo por matéria, o cumprimento dos prazos acordados, o índice de retrabalho e os indicadores de risco é o que permite decidir com dados, e não por intuição, o que vale a pena internalizar e o que faz mais sentido entregar a terceiros.
Conclusão
O ponto de equilíbrio é específico de cada empresa e muda ao longo do tempo, acompanhando volume, complexidade e maturidade, de maneira que revisitar esse desenho periodicamente faz parte da boa gestão. A M&M apoia os clientes tanto na operação como banca externa quanto na estruturação do modelo de atendimento e das métricas que tornam a função jurídica previsível e escalável.
Artigo elaborado por: Antonio Mazzucco, Marina Moreno e Paula Suraci.