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Quando considerar a venda da sua empresa e como se preparar

8 de January de 2026

Construir um negócio exige dedicação, tempo e energia. Mas chega um momento em que todo empreendedor se depara com uma pergunta inevitável: continuar sob o domínio da empresa ou considerar a venda? A resposta não é fácil, envolve emoção, estratégia e dinheiro na mesa. Por isso, se atentar aos sinais de venda se torna imprescindível e facilita a decisão.

Fatores que indicam o momento de agir

Vender pode ser uma opção interessante quando chegam propostas atraentes de aquisição, ao mesmo tempo que os recursos ou expertise para crescer já não são suficientes, ou quando a empresa atinge um pico de valorização difícil de ser superado.

Também faz sentido quando o empreendedor precisa de capital para novos projetos, quando existem conflitos societários que travam a gestão, ou quando não há sucessores preparados para dar continuidade ao negócio. Mudanças bruscas no setor, motivos pessoais ou familiares, dificuldades financeiras, desejo de mudar de estilo de vida, preocupação em reduzir riscos, proximidade da aposentadoria ou até mesmo o esgotamento com a rotina do negócio também são sinais que precisam ser considerados.

Quatro elementos a considerar para descobrir se está no momento certo de vender sua empresa

O momento certo para vender depende de quatro elementos principais. O desempenho financeiro da empresa é o primeiro deles: se a lucratividade está estável ou em alta, o negócio tende a atrair mais interessados. As condições gerais do mercado também pesam, especialmente em tempos de juros baixos e liquidez elevada. Outro ponto é a tendência do setor em que a empresa atua: mercados em crescimento naturalmente chamam mais atenção. Por fim, entram em jogo os objetivos pessoais do empreendedor, que muitas vezes são o fator decisivo.

Um exemplo ajuda a visualizar melhor: imagine uma startup de tecnologia que cresce a taxas consistentes ao ano, em um setor que está recebendo grandes investimentos. Esse pode ser o momento perfeito para vender e maximizar os retornos. O contrário também vale. Vender cedo demais pode trazer arrependimento, porque há o risco de deixar dinheiro na mesa ou de abrir mão de ciclos de crescimento que ainda estavam por vir. Já esperar demais pode levar à perda de valor, seja por crises econômicas, mudanças de mercado ou desgaste pessoal que acaba comprometendo o processo de venda.

Organização antes da venda: registros financeiros e ativos

Para avaliar se a empresa está pronta, é fundamental organizar entre dois e cinco anos de registros financeiros consistentes, destacar a eficiência operacional e a capacidade de escalar, mostrar claramente o posicionamento de mercado e os diferenciais competitivos. A gestão e a equipe precisam transmitir estabilidade, e os contratos com clientes e fornecedores devem estar bem amarrados. Além disso, ativos devem estar contabilizados, já que costumam pesar bastante no valuation.

E quanto vale a sua empresa? A resposta depende de dados financeiros, tendências de mercado e projeções de crescimento. Uma avaliação bem feita é essencial para não correr o risco de vender barato demais – ou precificar de forma irreal, o que pode afastar compradores sérios.

Seis dúvidas que permeiam o campo da venda de uma empresa

  1. Vale a pena vender quando a empresa está indo bem? Sim, compradores preferem negócios lucrativos em expansão.
  2. É possível vender com processo judicial em andamento? Também sim, desde que haja transparência total e uma forma de gerenciar os riscos decorrentes do processo.
  3. Dá para vender um negócio que não dá lucro? É difícil, mas possível, desde que existam ativos valiosos, contratos relevantes ou uma base sólida de clientes.
  4. Quanto tempo leva a venda? O processo pode variar de seis meses a mais de um ano, dependendo da complexidade.
  5. E quanto aos impostos? Isso vai depender da estrutura da empresa e do lucro obtido – razão pela qual é indispensável a orientação de um especialista tributário.
  6. Precisa ou não de um corretor ou advisor? Em vendas mais simples, pode não ser essencial. Mas em operações maiores e mais complexas, contar com um profissional experiente pode fazer diferença tanto na precificação quanto na negociação.

É importante lembrar também que vender não é a única alternativa. Muitos empreendedores optam por uma sucessão familiar, entregando o comando a herdeiros preparados, ou por uma transição mais leve, passando a atuar como conselheiros e reduzindo responsabilidades. Outra possibilidade é a venda parcial, trazendo um investidor para dentro da empresa, mas mantendo parte do controle.

No fim das contas, não existe uma resposta universal para a pergunta “quando devo vender minha empresa?”. O que existe é a necessidade de alinhar timing, valuation, estrutura jurídica adequada e circunstâncias pessoais. O empreendedor precisa refletir sobre seus planos futuros, avaliar os riscos do setor e entender se ainda tem energia para continuar. O que realmente importa é estar preparado, organizar a casa com antecedência e tomar a decisão de vender no momento certo, garantindo a melhor valorização e minimizando riscos.

Fonte: Jornal Comercio. Acessado 08/01/26.

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