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Política de reembolso bem estruturada: como evitar o risco de salário indireto e passivos trabalhistas

30 de janeiro de 2026

A adoção de políticas de reembolso para quilometragem rodada, viagens e alimentação é prática comum nas empresas, especialmente em atividades externas ou híbridas. O que muitas organizações ainda subestimam, porém, é que a ausência de critérios claros e documentação adequada pode transformar um simples reembolso operacional em um potencial passivo trabalhista. Notícias recentes e conteúdos especializados sobre gestão de despesas reforçam a importância de estruturar essas políticas com atenção jurídica, e não apenas administrativa.

Do ponto de vista legal, o risco central está na caracterização do chamado “salário indireto”. Sempre que valores são pagos de forma habitual, sem vínculo direto com despesas efetivamente comprovadas ou sem critérios objetivos, abre-se espaço para que o empregado alegue natureza salarial da verba. Isso é comum, por exemplo, em pagamentos fixos mensais para combustível, alimentação ou deslocamento, independentemente da real utilização em favor da empresa.

No caso específico do reembolso de quilometragem, a atenção deve ser redobrada. Embora legítimo, o pagamento por km rodado precisa refletir custos reais e estar atrelado à atividade profissional. Sem controles mínimos, como registro de rotas, finalidade do deslocamento e parâmetros de cálculo, o reembolso pode ser interpretado como complemento salarial disfarçado, gerando reflexos em férias, 13º salário, FGTS e contribuições previdenciárias.

O mesmo raciocínio se aplica a despesas de viagens e alimentação. Reembolsos sem exigência de comprovantes, com valores genéricos ou pagos automaticamente, fragilizam a defesa da empresa em eventual questionamento judicial. Na prática, quanto menos conexão houver entre o gasto e a atividade profissional comprovada, maior será o risco de contestação futura.

Para evitar esse cenário, o primeiro passo é criar uma política de reembolso clara, formal e documentada. Esse documento deve definir, de forma objetiva, quais despesas são reembolsáveis, quais não são, quais os limites de valores, quais documentos devem ser apresentados e em quais situações o reembolso é devido. Mais do que existir, a política precisa ser aplicada de forma uniforme e conhecida por gestores e colaboradores.

Além disso, é fundamental revisar práticas já consolidadas na empresa. Benefícios informais, criados por conveniência ou costume, tendem a ser os mais problemáticos em ações trabalhistas. A revisão periódica da política, com apoio jurídico, ajuda a corrigir distorções antes que elas se convertam em direitos alegadamente incorporados ao contrato de trabalho.

Uma política bem estruturada não apenas organiza a rotina administrativa, mas também funciona como instrumento de proteção jurídica. Nosso escritório conta com equipe especializada em assessorar empresas na elaboração, revisão e implementação de políticas de reembolso alinhadas à legislação trabalhista e às boas práticas de compliance, ajudando a prevenir passivos e fortalecer a segurança jurídica da gestão empresarial.

Se você tiver alguma dúvida sobre os assuntos abordados nesta publicação, entre em contato com qualquer um dos advogados listados abaixo ou com seu contato habitual do Mazzucco&Mello.

Rafael Mello

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